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Vítor Reino

 

 

 

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Baixo Alentejo

Embora coexistindo com uma apreciável diversidade de formas musicais tradicionais, os solenes e majestosos corais polifónicos ou “modas”, de uma tão peculiar e quase mística expressividade, constituem, por excelência, o verdadeiro “ex-libris” do folclore do Baixo Alentejo e a sua mais importante e característica manifestação.

Outrora principalmente cantados por grupos de trabalhadores rurais, com vozes só masculinas, só femininas ou mistas, como refere J. Ranita da Nazaré, estes corais são hoje quase exclusivamente masculinos. A sua actual estrutura típica inicia-se pelo chamado “ponto”, solista que interpreta a primeira quadra com larga abundância de ornamentação e variações virtuosísticas; segue-se-lhe por momentos o “alto”, que eleva a música à terceira superior, dispondo de certa margem de liberdade melódica e harmónica, ao qual se vêm, finalmente, juntar os restantes membros do grupo, as “segundas”, que retomam em uníssono a parte musical inicialmente executada pelo “ponto”.

As prolongadas e sistemáticas investigações de José Alberto Sardinha vieram deitar por terra a regra de ouro tacitamente aceite pelos estudiosos de que estes corais não admitiam qualquer espécie de acompanhamento instrumental. Demonstrou este autor, de maneira irrefutável, que a velha viola campaniça, para além dos saborosos “balhos” e dos admiráveis “despiques”, participava inequivocamente na maioria das “modas”, como se também ela cantasse, “enriquecendo e realçando os contornos do canto, com o qual consegue uma união musical verdadeiramente invulgar”, graças a uma técnica particular de execução em que se combinam sabiamente o ponteado e o rasgado.

É nesta perspectiva que na “moda” Lá nos Campos, Verdes Campos o Maio Moço procura integrar a viola campaniça, a maior das violas portuguesas, de cinco ordens de cordas duplas e uma bela sonoridade de sabor rústico e arcaico, cuja zona de influência se estendia por todo o Baixo Alentejo. Não podemos deixar de salientar que a versão por nós gravada se baseia na análise comparativa de dois originais distintos, recolhidos respectivamente nos anos 40 e 80, de que resultou uma melodia forçosamente subjectiva e conjectural que representa a simbiose dos dois exemplares referidos.

Quanto às curiosas quadras que aludem a diversas terras alentejanas, cumpre-nos assinalar que as adaptámos e retocámos livremente para melhor se adequarem aos nossos propósitos.

Vítor Reino, in “Estrada de Santiago”, 1996

 

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