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Vítor Reino

 

 

 

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Ribatejo

O Ribatejo é uma das províncias portuguesas sobre cuja tradição musical menos elementos possuímos, talvez porque a sua proximidade da capital e a fraca qualidade de alguns agrupamentos folclóricos da zona tenham de certa forma contribuído para confundir e desinteressar os estudiosos da matéria.

Entretanto, se aprofundarmos o assunto, verificamos de imediato que o folclore ribatejano apresenta diversos aspectos dignos de realce: em primeiro lugar, possui belíssimas cantigas de trabalho que pouco ficam a dever às da vizinha Beira Baixa; por outro lado, as suas danças revelam traços locais extremamente vincados, como o seu ritmo vigoroso, o vivo rodopiar dos pares e certas manifestações coreográficas bem características, de que basta recordar o conhecido “sapateado”. “Com forte influencia da Lisboa burguesa e fidalga do século passado, as danças ribatejanas recorrem muito aos ritmos das danças estrangeiras de salão outrora em voga”, acrescenta Tomás Ribas, chamando a atenção para o parentesco evidente de algumas danças da zona com valsas, polcas e mazurcas.

O tema musical “Este Bailarico é meu”, escolhido pelo Maio Moço para representar o Ribatejo, associa uma velha e interessantíssima moda da ceifa com o popular Bailarico, conhecido numa vasta região, mas que ilustra perfeitamente o genuíno folclore ribatejano. Afirma ainda Tomás Ribas: “É o Bailarico uma das mais típicas e características danças populares portuguesas. (...) A sua simplicidade e o seu ritmo movimentado são bem característicos da sua pureza e genuinidade portuguesas.”

 O arranjo musical procura realçar o flagrante contraste entre as duas partes do tema, sendo ainda de salientar que o refrão instrumental em que o bandolim assume honras de protagonista foi composto por nós. Quanto às curiosas quadras, todas elas alusivas a diferentes terras da região, cumpre assinalar que foram seleccionadas cuidadosa e propositadamente, e, em certos casos, modificadas e adaptadas para o fim em vista.
 

Vítor Reino, in “Estrada de Santiago”, 1996

 

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