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![]() Vítor Reino
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. Início > Perspectivas > Beira Litoral Beira Litoral Dada a sua vasta extensão geográfica e a heterogeneidade da sua população – em que se misturam traços rurais, urbanos e marítimos – a Beira Litoral patenteia, inevitavelmente, um folclore variado e complexo, por vezes marcadamente influenciado pela tradição musical das regiões limítrofes, como é o caso do Douro litoral no domínio instrumental e coreográfico, e da Beira Alta e Beira Baixa em certas formas de canto. Muito embora a Farrapeira, a Ramaldeira, o Estalado, o Lambão, a Ciranda, a Moda Nova, etc., constituam danças bem características desta província, a Tirana é talvez a mais popular e representativa de todas elas, pela incrível abundância e diversidade de espécimes conhecidos. Apreciada e bailada em toda a faixa costeira do Minho à Beira Litoral, Tomás Ribas salienta o favor de que goza na zona coimbrã, referindo que “tiranas se chama às tricanas de Coimbra”. A Tirana Morreu Ontem, gravada pelo Maio Moço, resulta do cruzamento e simbiose de dois originais diferentes recolhidos por Armando Leça no já longínquo ano de 1940 e integrados na Discoteca da Música Popular Portuguesa, cuja organização ele próprio dirigiu. O casamento realizado é da nossa inteira responsabilidade, sendo igualmente de nossa autoria o refrão instrumental fundamentalmente a cargo dos violinos e a parte intermédia de gaita-de-foles que introduz uma súbita e propositada variação na sequência musical do tema (lembremos que a gaita-de-foles foi outrora bastante popular nesta província e conheceu mesmo alguns dos seus mais exímios executantes na zona de Condeixa).
Cumpre assinalar, finalmente, que utilizamos
nesta canção a velha viola toeira da região coimbrã e, duma forma geral, de
toda a Beira Litoral, com cinco ordens de cordas de “arame”, “hoje
praticamente desaparecida, mas que, ainda no último quartel do século XIX,
antes do triunfo da guitarra, era usada pelos próprios estudantes nas suas
serenatas e cantares”, como afirma Ernesto Veiga de Oliveira.
Vítor Reino, in “Estrada de Santiago”, 1996 |
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