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Vítor Reino

 

 

 

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Beira Alta

O folclore musical da Beira Alta apresenta uma enorme variedade, competindo em diversos aspectos com os vizinhos Douro Litoral, Beira Litoral e Beira Baixa.

Distinguindo-se em diferentes áreas, como as cantigas de trabalho, as canções reli­giosas e de romaria, as danças de ar livre e de salão e os curiosíssimos cantos ao desafio, a sua mais marcante característica relaciona-se talvez com a agreste e impres­sionante polifonia da região de Lafões, em que o canto se desdobra sucessivamente em três vozes paralelas, até se fixar num vibrante organon expressivo e majestoso.

A primeira parte do tema musical – “Oh que lindo par eu levo” – eleito pelo Maio Moço para representar esta província ilustra precisamente esta invulgar fac­eta do folclore da Beira Alta. Trata-se de um trecho executado unicamente por vozes femininas e associado à “maçadela do linho”, uma das principais fases de preparação dessa planta que granjeou um lugar tão relevante no nosso cancioneiro popular. O ritmo vigoroso e cadenciado que resulta do batimento dos maços sobre o linho para o amaciar confere à canção um carácter muito peculiar e sugestivo.

Para segunda parte do tema, escolhemos um jogo de roda de extrema graciosi­dade e beleza, cuja tonalidade menor e tocante nostalgia nos inspiraram uma parte instrumental que criámos e confiámos essencialmente aos violinos, como sucede tão frequentemente em diversos tipos de canções desta região, quer bailados quer simplesmente cantados ao desafio.
 

Vítor Reino, in “Estrada de Santiago”, 1996

 

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