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Minho
“Sem a menor sombra de dúvida, é o Minho a mais rica das nossas províncias em música popular,
visto que nenhuma outra a iguala no imenso reportório e na assombrosa variedade dos seus cantos.” Alguns anos sucessivos de laboriosas e fecundas expedições de recolha ao Minho que tivemos
ensejo de realizar na companhia de José Alberto Sardinha permitem-nos comprovar a veracidade e
justo equilíbrio destas palavras de Gonçalo Sampaio.
Com efeito, o folclore minhoto surpreende-nos ainda hoje pela inacreditável vitalidade e prodigiosa
diversidade das suas manifestações musicais, de que é forçoso destacar os vibrantes cantos de romaria
e as impressionantes e arrebatadoras “modas de terno”, “belos coros arcaicos a quatro ou cinco vozes
cantados por um grupo de 4 a 6 mulheres, a que por vezes se junta uma voz masculina, ao grave”, cuja
origem remonta ao longínquo século XVI e que, segundo o mesmo Gonçalo Sampaio, constituem, sob o ponto
de vista polifónico, “a mais elevada e artística manifestação de música popular que se conhece”.
Também no domínio coreográfico a tradição musical minhota não deixa de fascinar os especialistas mais
exigentes, patenteando uma variedade quase inesgotável de danças, entre as quais, para além das valiosas
Chulas, Vareiras, Canas-Verdes e Malhões, cumpre distinguir os característicos e vivos Fandangos do Alto
Minho e, principalmente, os populares e velhíssimos Viras. O Vira, de que já Gil Vicente nos fala na sua
Nau d'Amores dando-o como uma dança do Minho, constitui, na verdade, uma das mais antigas, autênticas e
características danças tradicionais do nosso país.
No caso do nosso genuíno Vira das Velhas (incluído no CD “Estrada de
Santiago”), para o qual compusemos um refrão e uma parte instrumental
intermédia inteiramente de nossa autoria, optámos por empregar
preferencialmente os alegres e festivos instrumentos que integram as
populares “rusgas” minhotas, nomeadamente a típica viola braguesa e o
portuguesíssimo cavaquinho, de ritmo saltitante e comunicativo e duma
vibrante sonoridade inconfundivelmente contagiante.
Vítor Reino, in “Estrada de Santiago”, 1996
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