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Vítor Reino

 

 

 

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Minho

“Sem a menor sombra de dúvida, é o Minho a mais rica das nossas províncias em música popular, visto que nenhuma outra a iguala no imenso reportório e na assombrosa variedade dos seus cantos.” Alguns anos sucessivos de laboriosas e fecundas expedições de recolha ao Minho que tivemos ensejo de realizar na companhia de José Alberto Sardinha permitem-nos comprovar a veracidade e justo equilíbrio destas palavras de Gonçalo Sampaio.

Com efeito, o folclore minhoto surpreende-nos ainda hoje pela inacreditável vitalidade e prodigiosa diversidade das suas manifestações musicais, de que é forçoso destacar os vibrantes cantos de romaria e as impressionantes e arrebatadoras “modas de terno”, “belos coros arcaicos a quatro ou cinco vozes cantados por um grupo de 4 a 6 mulheres, a que por vezes se junta uma voz masculina, ao grave”, cuja origem remonta ao longínquo século XVI e que, segundo o mesmo Gonçalo Sampaio, constituem, sob o ponto de vista polifónico, “a mais elevada e artística manifestação de música popular que se conhece”.

Também no domínio coreográfico a tradição musical minhota não deixa de fascinar os especialistas mais exigentes, patenteando uma variedade quase inesgotável de danças, entre as quais, para além das valiosas Chulas, Vareiras, Canas-Verdes e Malhões, cumpre distinguir os característicos e vivos Fandangos do Alto Minho e, principalmente, os populares e velhíssimos Viras. O Vira, de que já Gil Vicente nos fala na sua Nau d'Amores dando-o como uma dança do Minho, constitui, na verdade, uma das mais antigas, autênticas e características danças tradicionais do nosso país.

No caso do nosso genuíno Vira das Velhas (incluído no CD “Estrada de Santiago”), para o qual compusemos um refrão e uma parte instrumental intermédia inteiramente de nossa autoria, optámos por empregar preferencialmente os alegres e festivos instrumentos que integram as populares “rusgas” minhotas, nomeadamente a típica viola braguesa e o portuguesíssimo cavaquinho, de ritmo saltitante e comunicativo e duma vibrante sonoridade inconfundivelmente contagiante.
 

Vítor Reino, in “Estrada de Santiago”, 1996

 

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