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I
O
Continente atrás ficou a milhas
No avião apertam-se as fivelas...
Envia-se o olhar p’las escotilhas,
As nuvens tocam leves nas janelas.
No mar, qual barco azul, são já as ilhas,
A cor, luz e paisagem são as Velas.
Poisados docemente até à pista,
E a breve confusão então se avista!
II
Na
recepção há gente aos encontrões,
Buscando malas vindas do porão,
Esmagados por graúdos e anões (1)
Tentámos às violas pôr a mão;
Uma a uma, lá vinha aos trambolhões,
Apenas nos faltou o acordeão.
Perdido andava este, já aos tombos,
Num hangar cagadinho pelos pombos.
III
Passadas tais acções, lá se «premeiam»
De circuito p’la ilha, com viagem,
Do Cicerone junto a quem passeiam (2)
Logo recebem muita «aprendizagem»:
Conhece ele até aves que «planeiam»! (3)
Nas curvas entra todo em derrapagem.
Por terras das Fajãs fomos guiados,
De encanto e singeleza contentados.
IV
A
hora se aproxima da festança,
Maio Moço do espectáculo se avizinha;
O grupo guarda ainda na lembrança
O bom giro que demos à tardinha.
Enquanto no passeio a gente avança,
Um gordo gato no beiral se aninha;
Salta o «bichanho» (4) p’ra ajudar à festa...,
No Sérgio cai o lenho (5) em plena testa!
V
Depois de «Susylena» (6) e os anões
Dançarem a tourada em torniquete,
Donde em Susy saíam só canções,
Dos sovacos dos anões, só o pivete.
Entra Sérgio de gaze nas lesões,
Na testa qual turbante capacete,
Cantando, de sobrolho assim rachado,
Com Maio Moço, em concerto avantajado.
VI
Passadas essas férias frente ao Pico,
Revemos, com saudades dos Açores,
As ilhas em que o tema foi mais rico,
Terras que nos prenderam de amores.
Agora, como canto aqui me fico.
Mais virão, novos sons, novos sabores.
Serão cantos maiores p’la vida inteira,
Daquela «Bela Aurora» na Terceira.
Notas:
(1) Grupo de anões
espanhóis «Los bomberos toreros».
(2) Homem de mil ofícios que teve a gentileza de nos mostrar a ilha em
carrinha acelerada.
(3) Expressão proferida pelo cicerone, quando se referia ao planar do
açor.
(4) Aglutinação de bichano (gato) + anho (carneiro), de molde a dar
ênfase ao tamanho do animal.
(5) Palavra com dois sentidos: corrimão de madeira e golpe na cabeça do
Sérgio.
(6) Nome fictício aqui adoptado de modo a camuflar a identidade da
artista, que, após o espectáculo, se nos queixou da intervenção dos
anões, com os quais foi «obrigada» a dançar, aguentando nauseabundo
cheirete a suor (artista sofre...).
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