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I
Ouvide bem,
senhores, se acreditais
Que em salvaterras vinhas, de bom cacho,
Devido a festa rija em Vale Pardais,
Maio Moço “fandangou” na mó de baixo;
Só porque a fome e sede eram demais,
Buscou-se refinado pasto e tacho.
Se há coisas que se apagam da memória,
Outras há que, por raras, fazem história.
II
Propõe-se, ali à
mão, a churrasqueira
(Tu pressa e tu larica, a quanto obrigas...)
E logo nos sentámos em fileira,
Boca em riste, p’ra enchermos as barrigas;
E vai daí, rebenta a barulheira,
Mais rija inda que rixa das antigas,
Pois salta do balcão, com canhangulo,
Em frente ao genro, um sogro bruto e fulo.
III
“Ah, malandro!...”
Grita este; “Ah, vil canalha!!!
“Puseste a minha filha no estaleiro...
“Vou encher o teu bandulho de metralha,
“Vais passar a ser tapete de coveiro!!!”
Esquivando-se a enxerto e real malha,
O genro sai da sala, num berreiro.
Ouvindo tal discurso, a clientela
Pôs-se ao fresco e arremelga na janela.
IV
Soa longe o bucólico
gaibéu...
Que saudades dos serenos arrozais...
Voam facas e garfos pelo céu,
Partem-se pratos, copos e outros tais.
Dos canos da espingarda: ... TÉU ... TÉU ... TÉU ...
Três tiros, mesmo ao pé dos comensais.
Todos logo se escondem nas extremas,
Pois heróis, sem arranhões..., só nos cinemas.
V
Mal acha campo
aberto e calmaria,
Maio Moço lá se afasta das tabernas,
Mal comido, mal bebido, lá seguia...
E sobe a palco, trémulas as pernas.
O povo canta e dança, é a folia!!!
Com foguetório, bombas e luzernas,
Mas eis que no concerto, – e eu não minto –,
Estatela-se a coluna no recinto.
VI
Tudo cessa; há um
vazio... ... ... e recomeço.
Repõe-se logo a festa em andamento;
O concerto, no fim, foi um sucesso.
Já todo o mal caiu no esquecimento.
Pegando em instrumento e adereço,
Volvermos a Lisboa, foi a tempo.
O carro, pé na tábua, a fundo investe,
Todos gritando: “Adeus, adeus, Far West!”
“THE END”
João Lima
Agosto de 2005 |
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