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I
Montando Maio Moço na carrinha,
Levando o seu destino a Mangualde,
E como quem de longe ali caminha,
Procura, em mapa, via, mas debalde;
Escolhe estrada longa e estreita linha
E logo cedo embica em arrabalde;
Eis senão quando, e em brutal progresso,
No horizonte surge um fumo espesso.
II
Detrás das pretas nuvens se desvenda
Um grande incêndio, as chamas, o queimado.
Oh Prometeu, credo, coisa horrenda...!
Exagera João Lima acelerado.
A dada altura, Fausto, em reprimenda,
E de lama nas calças já borrado,
Como se as mesmas o fogo lhe abrasasse,
Bradava em altas vozes que abrandasse.
III
"Tenham calma, porra!", grita o Mário,
Quando a Paula dá bitates, assustada.
Limpa, Vítor, sua face qual sudário,
E mesmo a Rita pouco disse ou nada:
"Faço ou não faço bolo de aniversário?"
Lá ia matutando, e entusiasmada:
"Espero bem que me paguem o caché...
Que hoje ainda me vais ver, Intermarché!!!"
IV
Em
contra-mão seguimos, a despeito,
Direitos à cidade p’las traseiras,
Virados, ora à esquerda, ora a direito,
Debruámos o caminho com asneiras;
E cada qual cagando o seu conceito,
Acagaçado ia, e sem maneiras;
Com o fogo no cu, assim deixámos
A estrada onde fumo negro respirámos.
V
Ao
arraial chegámos bem, mas estafados,
Trombaleando de cansaço e já balhelhas,
Perfilámos logo a gaita, e ensaiados,
Fomos tocar num palco sem orelhas;
Dos sons de altos e baixos enrolados
Por uma cobertura em baixas telhas,
Passou-se ao atrelado em camião,
Num camarim sem luz nem lampião.
VI
Salvou-se o caldo verde no degredo
E as confissões na volta da carreira,
Onde o “Marinho” expôs o seu segredo
Das namoradas muitas a primeira…
E tudo o mais foi dito sem ter medo,
Um dia antes do cântico à maneira
P’lo qual, na Rita, fica rubro o rosto.
Data não vou dizer, mas era Agosto.
João Lima
Agosto de 2005 |
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