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Fausto Azul (1975)

 

 

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Da música portuguesa...

Da música portuguesa...
à música portuguesa
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Percurso

Quando, em meados do século passado (bolas, como estou velho!), o meu pai me ofereceu uma viola como prenda por ter terminado a 4ª classe, comecei as minhas aulas de música. Logo que aprendi os primeiros acordes, e porque o panorama musical da época necessitava de revitalização (!!!), formei com alguns amigos um grupo que tocava as canções do “Conjunto António Mafra”, na altura “na berra”  –  Ó Clarinha, O Carteiro, O Baile da D. Ester, etc.

Pouco depois, tomei contacto com “os Conchas”, que cantavam, em português, os grandes êxitos da altura – Oh Carol, Adam and Eve, etc. e formámos “Os Conchinhas”. Procurávamos ser, conforme o próprio nome indica, uma espécie de “Juventude Conchista”, tendo feito a nossa 1ª apresentação na RTP pela mão do Júlio Isidro (quem havia de ser…) em 1962.

Segue-se um conjunto (designação que passados alguns anos caiu em desuso, sendo substituída por banda), que animava os bailes populares e associações recreativas: acordeão, contrabaixo (ou “rabecão”, como era vulgarmente conhecido), viola electrificada com “pastilhas” e uma bateria com uma tarola que tinha no seu interior uma lâmpada que, através de um interruptor, mantinha a pele na tensão adequada – chamávamos-lhe, por brincadeira, a “bateria eléctrica”. Só havia um microfone para o vocalista e o som era reproduzido por 2 “cornetas” que ainda hoje são utilizadas por alguns feirantes.

Por volta de 1965, formei finalmente um grupo já com alguma qualidade, que fazia os chamados “bailes de finalistas” e as primeiras partes de grupos de renome – Sheiks, Quarteto 1111, Conjunto Académico João Paulo, Pop Five, etc. O reportório baseava-se nos êxitos anglo-americanos da época dos Beatles, Rolling Stones, Byrds, Chicago, Blood Sweat and Tears, etc. Órgão “Farfisa”, violas “Eko” e bateria “Premier”. Amplificadores “Vox” e vozes “Dynacord”, com câmara de eco e tudo… – um espanto! Parecia um grupo a sério!

Assegurámos, durante alguns anos, as noites de alguns casinos, o que me permitiu conhecer de perto a maioria dos artistas de nomeada da altura. Aos poucos lá íamos conseguindo melhorar o equipamento, passando a ter um órgão “Hammond” (o “Rolls Royce” da época), com “Lesley” e tudo, violas e amplificadores “Fender” e uma bateria “Ludwig”. Enfim, um verdadeiro luxo!

Este percurso foi subitamente interrompido pela ida para Angola (1971), para cumprir o serviço militar. Entre minas e emboscadas, formei com um camarada de armas o duo mais famoso que havia em Zala – o Duo…Deno!

Numa noite de refrega, a minha viola acabou completamente desfeita em bocados, o que, para grande tristeza de toda a Companhia, contribuiu para acabar com a “promissora” carreira daquele duo.

Foi nessa época que comecei a ganhar alguma “consciência política” e a estabelecer um contacto mais próximo com a chamada “música de intervenção” do Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, entre outros.

Pouco depois, dá-se o 25 de Abril e a história passou a ser outra. Foi a descoberta de novos horizontes, musicais e não só.

Pausa na música a sério, para me dedicar a acabar o curso. Durante vários anos, dediquei-me apenas a cantar no banho e a tocar para os móveis da casa.

Já nos anos 90, voltei a dedicar-me à minha paixão inicial – a música portuguesa –, tendo curiosamente retomado as minhas aulas de música interrompidas durante todos estes anos. Passei a integrar um grupo amador de música tradicional, na altura ensaiado pelo Vítor Reino. Este último acabou por me convidar a integrar a “família” Maio Moço, onde tenciono reformar-me quando a saúde já não me permitir aguentar a estrada e as noitadas.

E foi assim que, começando na música portuguesa, terminei na música portuguesa. Fechou-se o círculo!

Fausto Azul
Junho de 2005

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