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Picasso - Rapariga com bandolim

 

 

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Uma história bonita
Uma história bonita
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O homem que nesta fotografia segura a guitarra portuguesa era meu avô. Não sei muito sobre ele, e era ainda pequena quando morreu.

Mas há uma história que me contaram e acerca da qual gosto de fantasiar.

Ele vinha de uma família humilde do Alentejo. Diz-se que a mãe tocava uma espécie primitiva de harmónio a que chamavam desdenhosamente “piano de cavalariça”. Como foi que ele começou a tocar guitarra? não sei. Só sei que um dia viu a minha avó, menina bonita, dona de um  lânguido olhar azul profundo … Ela era filha única, nascida em Lisboa e criada com todo o esmero pela mãe e a uma avó, senhoras com algumas  pretensões que tocavam piano a quatro mãos. A própria jovem tinha lições particulares de violino e tocava com sentimento um bandolim enfeitado com embutidos de madre-pérola, oferecido pelo seu pai.

Em breve o meu avô começou a fazer-lhe serenatas à janela, como era costume da época. O amor, fortemente contrariado pela mãe e pela avó, foi ficando cada vez mais sólido e, por assim dizer, inevitável.

O meu avô comprometeu-se a completar a 4º classe antes do pedido de casamento.

E por fim casaram… tiveram vários filhos e viveram felizes... enquanto a felicidade durou.

Hoje, quando pego no meu bandolim gosto de pensar nos meus avós e em como a música foi sua cúmplice. Gosto de pensar nas pessoas que viveram antes de mim e que nos deixaram a poderosa herança da música. Não uma música de meros consumidores, mas naquela que é feita de um modo singelo e genuíno por nós e que sabe acordar no nosso íntimo a sensação de sermos deuses por alguns supremos instantes…

Rita Reino
Julho de 2005

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